quinta-feira, 7 de junho de 2012

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Platão X Aristóteles

A problemática da poesia épica enquanto mimesis dentro do pensamento de Platão e de Aristóteles

VOIGT, Andressa Cristina (G - Unioeste)
ROLLA, Cinthia Elizabet Otto (G - Unioeste)
SOERENSEN, Claudiana (Unioeste)



RESUMO: Partindo das análises do livro X da obra A República de Platão e da Poética de Aristóteles, investigaremos a concepção de ambos os filósofos sobre a poesia épica, com o intuito de demarcar um ponto capital que separa as duas perspectivas: o conceito de mimesis. Para Platão, a poesia épica é vista negativamente por se encontrar à três graus de distância do verdadeiro, se caracterizando enquanto mimesis dos fenômenos sensíveis, ao passo que os fenômenos já são considerados mimesis das Idéias eternas. Aristóteles também define a poesia épica como mimesis, mas em um sentido positivo, pois ela tem o poder de enriquecer os fenômenos sensíveis. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o papel da poesia épica em ambos os filósofos, compreendendo e estabelecendo as suas divergências.

PALAVRAS-CHAVE: Platão; Aristóteles; Poesia épica; Mimesis.

Introdução

Neste trabalho nos deteremos em dois textos chaves dos dois maiores nomes da filosofia clássica: A República de Platão, sobretudo o livro X, e a Poética de Aristóteles. Ao investigarmos estes textos, pretendemos, em linhas gerais, compreender a concepção de ambos os filósofos sobre a poesia épica para, em seguida, detectar as principais diferenças entre ambos. Seguiremos a ordem cronológica dos textos: primeiro analisaremos a concepção platônica da poesia épica, para, a seguir, nos determos na concepção aristotélica da poesia épica. Por fim ressaltaremos as principais diferenças que separam as duas concepções.

A concepção platônica de poesia épica

Platão concebe a poesia épica, assim como outras manifestações artísticas, de maneira depreciativa. Mas tal problemática sempre deve ser vista a partir de um vínculo direto com a temática metafísica e dialética que permeia todos os diálogos platônicos. Isto quer dizer que, desvinculando a maneira pela qual o filósofo grego concebe a arte de sua postulação metafísica e do método dialético, não é possível tornar plausível a compreensão platônica das obras de Homero e Hesíodo, assim como da tragédia e até mesmo das artes plásticas em geral.

Levando em conta estas considerações, Platão, ao definir a essência, a função e o valor da poesia épica, está sempre preocupado em estabelecer o valor de verdade que esta possui, contrapondo-a com a filosofia, que seria a melhor maneira de alcançar o verdadeiro. Deste modo, o filósofo grego analisa primeiramente a poesia épica na sua aproximação com o verdadeiro, para, em seguida, detectar se ela consegue tornar o homem melhor, com o intuito de diagnosticar se ela possui algo de educativo ou não.

Partindo de uma análise do livro X de A Republica, diálogo no qual Platão, na "boca de Sócrates", investiga a noção de justiça, acarretando, no desenvolver da obra, na necessidade da construção filosófica de um Estado ideal, o filósofo grego assume uma postura totalmente negativa sobre os apontamentos levantados no parágrafo anterior: a poesia épica não desvela e nem se aproxima do verdadeiro, mas o oculta, porque ela não possui o poder de conhecimento. Consequentemente ela não melhora o homem, mas o corrompe porque é “mentirosa”, diagnosticando que ela não educa o homem, mas deseduca devido ao fato de não dirigir-se à racionalidade, mas só á faculdades irracionais da alma, que Platão define filosoficamente como hierarquicamente inferior1.

Em resumo, no décimo livro d’A República, todas as expressões artísticas são, do ponto de vista filosófico, uma mimesis, isto é, uma imitação das coisas e fatos captados através dos sentidos. Assim, a poesia épica descreve o gênero humano e os mais diversos acontecimentos referentes a ele, procurando sempre reproduzi-los por meio de palavras. Tendo em vista a metafísica platônica, todas as coisas que pertencem ao âmbito sensível são uma imagem, um reflexo do paradigma eterno do eidos, ou seja, das Idéias, das formas eternas e imutáveis que pertencem ao âmbito do inteligível. Assim, tudo que os sentidos captam não são as essências das coisas, o ser verdadeiro, mas apenas imitação deste ser verdadeiro. Por conseguinte, se a poesia épica é imitação das coisas sensíveis, conclui-se que ela acaba sendo uma mimesis das coisas captadas pelos sentidos que são também uma mimesis do eidos. A poesia épica, portanto, acaba sendo caracterizada, dentro do pensamento platônico, como uma imitação de uma imitação, dito de outro modo, uma cópia que acaba reproduzindo outra cópia, encontrando-se mais distante do verdadeiro do que os objetos sensíveis. Se as coisas captadas pelos sentidos estão a dois graus de distância do verdadeiro, a poesia épica, conseqüentemente, se encontra a três graus longe da verdade, como ressalta o próprio Platão:


Sócrates – Sobre os assuntos mais importantes e mais belos que Homero decide tratar: as guerras, o comando dos exércitos, a administração das cidades, a educação do homem, talvez seja justo interrogá-lo e dizer-lhe: “Caro Homero, se é verdade que, no que respeita à virtude, não estás afastado no terceiro grau da verdade, artífice da imagem, como definimos o imitador, se te encontras no segundo grau e nunca foste capaz de saber que práticas tornam os homens melhores ou piores, na vida particular e na vida pública, diz-nos qual, entre as cidades, graças a ti, se governou melhor, como, graças a Licurgo, o Lacedmônio, e graças a muitos outros, muitas cidades, grandes e pequenas? Que Estado conhece que foste para ele um bom legislador e um benfeitor? A Itália e a Sicilia tiveram Corondas, e nós, Sólon, mas a ti, que Estado pode citar?” Poderia indicar um só que fosse?

Glauco – Não acredito. Os próprios homéricos não dizem nada (2004, p. 326 - 327).


A resposta negativa de Glauco demonstra que nunca houve um governo, ou uma guerra que fosse bem conduzida no tempo de Homero graças aos conselhos do poeta. Segue-se, portanto, que a poesia de Homero jamais deve ser compreendida como estando numa distância de dois graus do verdadeiro, mas sempre a três graus, devido ao fato de Homero não conhecer a verdadeira natureza da virtude, mas apenas a sua cópia:


Sócrates – Tomemos como princípio de todos os poetas, a começar por Homero, são simples imitadores das aparências da virtude e dos outros assuntos de que tratam, mas que não atingem verdade. São semelhantes nisso ao pintor, que desenhará uma aparência de sapateiro sem nada entender de sapataria, para pessoas que, não percebendo mais do que ele, julgam a s coisas segundo a aparência?

Glauco – Sim (PLATÃO, 2004, p. 328).


Este julgamento de Platão torna-se paradigmático: Homero não foi general ou membro do exército para entender de guerras, não foi governante ou político para entender sobre administração do Estado. Do mesmo modo que um pintor não entende nada de marcenaria, mas pinta mesas e cadeiras, encontrando-se a três graus de distância do verdadeiro, enquanto o marceneiro se encontra a dois graus, o mesmo raciocínio vale para Homero e outros poetas: eles estão a três graus de distância do verdadeiro por copiarem táticas de guerras e formas de governo conhecidas por guerreiros e políticos, como conclui o filósofo:


Sócrates – Pois bem, leva isto em consideração: o criador de imagens, o imitador, não entende nada da realidade, só conhece a aparência. Glauco – Certo (PLATÃO, 2004, p. 329).


A partir destes apontamentos, torna-se clara a postura platônica com relação aos poetas: eles falam sem saber e sem conhecer aquilo de que falam. Tendo em vista a concepção filosófica do verdadeiro, como devemos definir a poesia épica manifestada por Homero? Platão nos diz para tratá-la como um mero jogo ou uma brincadeira de criança:


Sócrates – O imitador não tem, portanto, nem ciência nem opinião justa no que diz respeito à beleza e aos defeitos das coisas que imita?

Glauco – Não ao que me parece.

Sócrates – Será então encantador o imitador em poesia, pela sua sapiência dos assuntos tratados!

Glauco – Nem tanto assim.

Sócrates – No entanto, não deixará de imitar, sem saber por que motivo uma coisa é boa ou má, mas deverá fazê-lo daquilo que parece belo à multidão e aos ignorantes.

Glauco – E o que mais poderia ser feito?

Sócrates – Aí estão segundo parece, dois pontos sobre os quais estamos de acordo: em primeiro lugar, o imitador não tem nenhum conhecimento válido do que imita, e a imitação é apenas uma espécie de jogo infantil. Em segundo os que consagram a poesia trágica, quer componham em versos jâmbicos, quer em versos épicos, são imitadores em grau supremo.

Glauco – Com toda a certeza.

Sócrates – Mas, por Zeus! Essa imitação não esta afastada no terceiro grau da verdade?

Glauco – Está (PLATÃO, 2004, p. 330).


A poesia épica é considerada por Platão, por estar a três graus de distância da verdade, como corruptora, sendo, assim, exilada, ou até mesmo exterminada do Estado ideal. Nunca é demais salientar que a concepção platônica da poesia épica não tem um valor autônomo, ou seja, ela é válida somente na medida em que possa ou saiba colocar-se a serviço da verdade2. Isso não significa que o filósofo grego nega à poesia épica a magia e o poder que lhe são peculiares, mas nega qualquer validade de caracterizar esse poder de maneira autônima. A poesia épica só pode ser concebida quando está associada aos critérios filosóficos e metafísicos do verdadeiro, como nos mostra Reale, ao realçar a arte em geral dentro do pensamento platônico: “Em suma, Platão não negou o poder da arte, mas negou que a arte devesse valer unicamente por si mesma: ou a arte serve ao verdadeiro ou serve ao falso e tertium non datur” (REALE, 2007b, p. 174). Portanto, tendo em vista a verdade, a poesia épica só tem lugar no Estado perfeito de Platão quando submetida à filosofia, único saber capaz de alcançar a verdade, e o poeta, assim, deve estar seguindo o caminho estipulado pela dialética do filósofo.

A condenação de Platão da poesia épica é muito parecida com a sua condenação aos sofistas. Em ambos os casos o diagnóstico é o mesmo: se encontram a três graus de distância do verdadeiro. E levando em conta o contexto d’A República, na qual é construído filosoficamente um Estado ideal, a educação dos cidadãos acaba ganhando lugar de destaque na obra. Assim, tanto os sofistas como os poetas não terão lugar neste Estado devido o caráter pedagógico: só deve ser ensinado o verdadeiro, e não o falso. Por isso, o filósofo, o único capaz de alcançar a verdade, deve ser o governante, surgindo, deste modo, uma oposição entre filósofo e poeta da mesma maneira que se opõe filósofo e sofista. Portanto, a poesia épica acaba levando fortes ataques por parte do filósofo grego, sendo censurada, da mesma maneira que a sofística, do Estado ideal construído por ele. Seria o fim da poesia épica, visto que ela foi depreciada com fortes argumentos? Uma coisa é certa: apenas outro grande filósofo poderia resgatar a integridade da poesia épica. Vejamos, a seguir, a interpretação de Aristóteles sobre o tema.

A concepção aristotélica de poesia épica:

Aristóteles, que foi discípulo de Platão, também tem uma concepção de poesia épica fundamentada em sua filosofia que, como veremos, se afasta, em geral, da concepção de seu mestre.

Primeiramente, Aristóteles define as manifestações artísticas como uma das ciências produtivas ou ciências poiéticas. Essas ciências ensinam a produzir coisas e objetos segundo algumas regras que o filósofo considera precisas. Porém, Aristóteles acentua uma diferença entre o conceito de arte e de outras técnicas que também produzem objetos, através da contraposição entre arte e experiência: a última se define por uma repetição, sobretudo mecânica, e não vai além do conhecimento do quê, ou seja, do fato dado, enquanto que a primeira vai além deste puro dado e atinge o conhecimento do porquê, ou, ao menos, aproxima-se dele. Assim, a arte, diferente de Platão, além de ser enquadrada como uma ciência, é considerada superior por não ser um mero saber prático como acontece com as ciências técnicas que dependem da experiência e de sua repetição contínua, como comenta Reale: “É clara a razão da inclusão das artes no quadro geral do saber (...), enquanto são um saber, mas um saber que não é um fim para si mesmo, tampouco um saber voltado ao benefício de quem age (como o saber prático), mas voltado ao benefício do objeto produzido” (2007a, p. 176).

Para a filosofia, as ciências poiéticas, no geral, não a interessam diretamente, com exceção do que Aristóteles denomina de “belas artes”, que se diferenciam das outras artes tanto na sua estrutura, quanto na sua finalidade. Essas “belas artes” são livres de qualquer utilidade pragmática. Elas possuem, como em Platão, a caracteristica da mimesis, imitam a própria natureza, e recriam alguns de seus aspectos. Essas “belas artes” será o objeto de análise na obra Poética. E quais artes são essas tratadas na Poética? É a poesia, tanto a épica como a trágica. Numa parte que se perdeu da obra o filósofo tratava também da comédia. Deste modo, analisaremos o conceito de mimesis que Aristóteles atribui à poesia épica.

Como vimos em Platão, a poesia épica é mimesis por ser uma imitação dos fenômenos captados pelos sentidos, que, por sua vez, são imitações do eidos, das Idéias imutáveis, de modo que a poesia épica é considerada como cópia da cópia, aparência da aparência, ficando a longínquos três graus de distância do verdadeiro. Aristóteles opõe-se explicitamente à concepção de Platão de mimesis. Enquanto o último a concebe como uma reprodução passiva das aparências das coisas, o primeiro a concebe como uma atividade que tem a possibilidade de recriar as coisas segundo uma nova dimensão. Vejamos as palavras de Aristóteles:


Segundo o que foi dito se apreende que o poeta conta, em sua obra, não o que aconteceu e sim as coisas quais poderiam vir a acontecer, e que sejam possíveis tanto na perspectiva de verossimilhança como da necessidade. O historiador e o poeta não se distinguem por escrever em verso ou prosa; casos as obras de Homero fossem postas em metros, não deixaria de ser história; a diferença é que um relata os acontecimentos que de fato sucederam, enquanto o outro fala das coisas que poderiam suceder. E é por esse motivo que a poesia épica contém mais filosofia e circunspecção do que a história; a primeira trata das coisas universais, enquanto a segunda cuida do particular. Entendo que tratar das coisas universais significa atribuir a alguém idéias e atos que, por necessidade ou verossimilhança, a natureza desse alguém exige; a poesia, desse modo, visa ao universal, mesmo quando dá nome a suas personagens. Quanto a relatar o particular , ao contrário, é aquilo que Alcebíades3 fez, ou aquilo que fizeram a ele” (2000, p.47).


A partir desta esclarecedora passagem, podemos tirar importantes conclusões: primeiramente, na visão de Aristóteles, a poesia épica não deve ser caracterizada devido à sua forma, ou seja, porque usa versos. Ela poderia não usar versos e ser chamada, sem nenhum problema, de poesia. A principal característica do poeta é a sua capacidade mimética ou criadora, e essa imitação ou criação são de ações, e não de versos. Em segundo lugar, a poesia épica não depende de forma alguma da verdade contida no seu objeto. Isso significa dizer que não é a verdade entendida historicamente das ações, ou dos fatos representados que lhe dão o valor de arte: “A arte pode também narrar coisas efetivamente acontecidas, mas só se torna arte se a essas coisas ela acrescenta um quid que falta à narração puramente histórica” (REALE, 2007a, p. 178), afirma o comentador italiano. Se a poesia épica não necessita ser em versos para ser poesia, do mesmo modo os fatos históricos submetidos a versos não ganha o estatuto de poesia. No entanto, Aristóteles deixa claro que as histórias narradas por Heródoto pode se transformar em poesia épica, desde que leve em conta o seguinte:


Segue-se então que o poeta deve ser mais criador do que metrificador, uma vez que é poeta porque imita, e por imitar ações. Continua sendo poeta mesmo quando se serve de fatos reais, pois nada impede que alguns fatos, por natureza, sejam verossímeis e possíveis e, por esse motivo, seja o poeta o seu criador (ARISTÓTELES, 2000, p.48).


O que chama atenção na interpretação de Aristóteles é a superioridade que a poesia épica tem sobre a história, principalmente pela maneira de tratar os fatos. Para o filósofo grego, enquanto a história se restringe ao particular, a poesia épica, mesmo tratando de fatos que também podem ser tratados pela história, tem a peculiaridade de transfigurá-los, de elevá-los a um significado mais amplo, universalizando o objeto em questão. Isso acontece devido à capacidade da poesia em tratar os fatos como “verossímeis e possíveis”.

A poesia épica, deste modo, não deve reproduzir verdades empíricas ou verdades lógicas e abstratas. Ela se encontra num patamar superior ao da história exatamente por sua capacidade de separar-se dos fenômenos abstraídos pelos sentidos e pela razão, apresentando fatos e personagens não como são, mas como poderiam ou deveriam ser e, mais que isso, parafraseando Aristóteles, a poesia épica pode também introduzir o irracional e o impossível, e pode até mesmo dizer mentiras, desde que os tornem “verossímeis e possíveis” (Cf. ARISTÓTELES, 2000, p.70).

É justamente a capacidade do possível e do verossímil que produz a universalidade da representação contida na poesia épica. Isso significa dizer que a sua aptidão está em conceber os fatos separadamente, mas sem desconexão, formando sempre algo unitário, como em um organismo: cada parte tem seu sentido quando visto na perspectiva do todo. Portanto, o que a história narra é o fato em “carne e osso” de maneira cronológica, enquanto a poesia procura uma conexão com as suas partes partindo das conseqüências, das quais todas as partes são necessárias para a compreensão. Em resumo, enquanto a poesia épica se refere a algo que acontece em conseqüência de alguma coisa, a história se refere a algo que acontece, na concepção de Aristóteles, depois de alguma coisa. Assim, a universalidade da poesia, partindo do possível e do verossímil, ganha um lugar de destaque dentro do pensamento aristotélico, pela sua capacidade de imitar os fatos de maneira mais enriquecedora, tornando mais elevada que a história, que seria uma imitação particular que em nada enriquece.

CONCLUSÃO

Compreendendo a concepção de Platão e de Aristóteles sobre a poesia épica, concluímos que o conceito chave que está em jogo é o de mimisis. Ambos os filósofos concebem a poesia épica enquanto a partir deste conceito, aproximando por um momento as duas teorias. Porém, ao analisarmos a maneira pela qual cada pensador concebe o termo, detectamos um abismo entre as duas concepções. A mimesis da poesia épica em Platão é depreciativa, pois o filósofo sempre busca o verdadeiro, e, como vimos, a arte se encontra a três graus da verdade, é uma cópia de outra cópia, e a poesia épica sempre deve ser julgada a partir da perspectiva metafísica, ou seja, do eidos. Por outro lado, Aristóteles concebe na mimesis da poesia épica uma atividade não detectada por Platão: a partir do possível e do verossímil, a poesia épica pode imitar os fatos e torná-los universais e, conseqüentemente, mais ricos. Diferente da história, que particulariza e, assim, só trata daquilo que é, e não daquilo que poderia ser. A mimesis da poesia épica de Platão, portanto, se opõe a mimesis aristotélica. Se em Platão a poesia épica é censurada, em Aristóteles ela recebe um lugar de destaque, se aproximando da filosofia, mais do que a história. Essas concepções, conflitantes entre si, são fundamentais para a compreensão da poesia épica tanto em sua estrutura como em sua finalidade, fazendo só elevar a sua importância dentro da história da civilização ocidental.


Referências bibliográficas

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Baby Abrão. São Paulo: Nova Cultural, 2000. (Col. Os pensadores).

PLATÃO. A República. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova Cultural, 2004. (Col. Os pensadores).

REALE, Giovanni. Aristóteles: História da filosofia grega e romana vol. IV. Tradução de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2007a.

______. PLATÃO: História da filosofia grega e romana vol. III. Tradução de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2007b.



1 A poesia épica também foi abordada por Platão em outros diálogos escritos, segundo muitos comentadores, antes de A República, como o Íon e o Fedro. E em ambos os textos Platão também assume um caráter depreciativo diante da poesia, como relata Reale: “Nos primeiros escritos (...) o poeta nunca é tal por ciência ou por conhecimento, mas por intuição irracional. Quando compõe, o poeta é inspirado, está ‘fora de si’, é ‘invadido’ e, portanto, inconsciente: não sabe dar razão ao que faz nem sabe ensiná-lo a outro” (2007b, p.171). O poeta é caracterizado, assim, como um indivíduo possuidor de uma inspiração divina, e não de conhecimento racional.

2 A poesia épica e a arte em geral, para Platão, não pode ser vinculada nem mesmo com a beleza, ao contrário de alguns comentadores que ao longo da história tentaram associar os dois partindo dos hinos à beleza contida no diálogo Banquete. Sobre isso, Reale é enfático: “Na verdade, ao associar o problema da arte ao problema da beleza é historicamente pouco correto, ao menos, no contexto platônico. Com efeito, nosso filósofo [Platão] liga a beleza não tanto à arte quanto ao eros e à erótica que têm outro sentido e função” (REALE, 2007b, p. 173).

3Na época de Aristóteles, o nome Alcebíades se aproxima ao que hoje chamamos de “fulano”.

terça-feira, 26 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Televisão

Antes todos sentavam-se em frente às suas casa, e lá ficavam conversando com os vizinhos. Hoje todos têm tv.


"O que torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?", Richard Hamilton.
Colagem. Tübingem, Kunstalle.




Richard Hamilton definiu as imagens vinculadas nos meios de comunicação em massa, base de inspiração da arte pop, como “ Popular, momentânea, consumível, barata, produzida em massa, jovem, espirituosa, sexy, trapaceira, glamourosa e um ótimo negocio.” (1957)
O uso da tv na imagem expressa exatamente o que diz seu título. A tv é o meio qual visualisamos o mundo, dentro de nossa casa. Pode ser sórdida, como um eletrodoméstico, reflexo do consumismo, alienação; ou como uma maravilha tecnológica que o homem pode se comunicar, investigar, adquirir conhecimentos. A tv está presente em todos os lares.
A cultura envolve comunicação e também reflexões sobre o seu caminho, desde as manifestações pictóricas da caverna, até o caminho da tecnologia, a tv digital.
Percebe-se que o homem têm necessidade de comunicação. A televisão é a mais acessível e interativa que dispomos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Virada Cultural






























"A Criada da Cozinha"



"A criada da cozinha", Johannes Vermeer.
Óleo s/ tela, 1658.


A tela é fracamente iluminada por uma janela onde provém uma luz suave, irradiando o ambiente. A personagem que está nos afazeres domésticos, preparando o café da manhã talvez, com sensação visual de iluminação natural; os alimentos dispostos sobre a mesa e o fato de estar manipulando o leite. Seu rosto tem luz e sombra, sua postura compreende que observa o que faz. A obra repleta de luz que se propaga, ocupando o espaço, difundindo os diferentes tons da parede branca com buracos e prego, e no canto, onde estão três objetos, não recebe luz, porém a cesta e o lampião pendurados refletem a luz projetada na parede do fundo. A sombra do canto ainda nos oferece noção de tridimensionalidade, de profundidade de perspectiva, e a luz, de vibração mais ríspida, mais áspera. Os alimentos sobrepostos e a própria mesa recebem luz, dando percepção de volume e rotundidade nos objetos. A luminosidade e a sombra projetada na indumentária dá a impressão sensorial de volume no tecido. Há o contorno ilumindado na abertura da jarra de leite, e o pão captura luz forte, perceptível pela camada grossa de tinta. Os contrastes tonais dados pela luz e a sombra em escala gradual, variando a intensidade do claro para o escuro, provoca uma certa dinâmica, e o banho de luz sobre a mulher torna a composição equilibrada e coesa, proporcionando a uma simples cena de um dever doméstico em um trabalho com ar majestoso, e a obra, com vestígios de serenidade e estabilidade.



segunda-feira, 14 de março de 2011

Estética

Podemos afirmar que o ser humano é o único ser capaz de fazer julgamentos, inclusive no que se refere à emissão de juízo estético.
Com base nas ideias de Platão na teoria da reminisciência, a beleza está relacionada ao mundo das ideias, a qual o padrão estético de beleza é idealizada, está contida no objeto de arte, e o observador apenas a recorda, como exemplo as estátuas, ou qualquer obra clássica grega, com padrões de formas humanas perfeitas, retomadas no Neoclassicismo. Ou ao observar um objeto de arte é detectada a sua beleza sem precisar interpretá-la, pois sua beleza é idealizada e nos transmite algo positivo, já que o homem é associado ao belo. Essa é a interpretação de beleza idealista.
A materialista empirista, com base nas ideias de Kant, está relativamente associada ao subjetivo. A beleza não está mais contida no objeto de arte, e sim no intelecto do sujeito, podendo influenciar no seu julgamento estético o meio social e cultural, tornando-se universal.

Arte como Fenômeno Universal
Todas as obras de arte não podem desvincular-se com o social, pois o artista já nasce e atua na sociedade. o objeto de arte é o encontro entre artista/espectador, e ambos são seres sociais, no seu conteúdo há uma poética, uma divulgação de ideia, um relato histórico, um protesto ou afeto que se eternizará, sendo também um agente histórico-social. Há artistas que são mais engajados, e o estado apóia ou condena a sua arte, dependendo de seus interesses. As obras de cunho histórico-social são de grande valor. Além de relatar o fato, contribui como documento de pesquisa.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Olha o que eu achei!

Uma foto da Babilina usada na divulgação do teatro da Frida no Psicodália! Só faltou o crédito da foto! =C

A peça "Frida Kahlo - A Revolução" foi liiiiiinda!

Psicodália reune em Rio Negrinho atrações de peso durante os dias de carnaval

O festival vai reunir música, teatro, oficinas e recreação. Tropicalista Tom Zé e outras 21 bandas de diversos Estados garantem a festa

Fábio Bispo
@fabiobispo_nd
FLORIANÓPOLIS

O festival anual Psicodália, direcionado ao público que curte um bom, velho e novo “roque”, será realizado entre os dias 4 e 8 de março, em Rio Negrinho, Santa Catarina. A 14ª ediçãodo Festival conta com mais de 30 atrações, com destaque para o tropicalistaTom Zé; banda setentista O Terço; International Jazz Band, com 45 anos de estrada e a lendária banda pernambucana Ave Sangria. O evento vai reunir música, teatro, oficinas e recreação. Uma opção para quem busca contato com a natureza e a subjetividade de um universo artístico paralelo ao clima tradicional do carnaval.

No ano passado, o Psicodália foi realizado especialmente no réveillon e retorna o calendário para os roqueiros de plantão carnavalesco. A histórica edição na virada de 2010 reuniu mais de quatro mil psicodálios na fazenda Evaristo, em Rio Negrinho. Para criar um clima psicodélico, o público conferiu de perto os Mutantes, Blindagem e Terreno Baldio. Neste ano, o pernambucano Zé dará o tom ao lado de mais 21 bandas de diversos Estados.

Idealizado pelo trio curitibano Juliana Henriques, Klauss Pereira e Alexandre Osiecki, o Festival Psicodália vai além da música. A proposta original segundo os organizadoresé criar para o público uma atmosfera de alegria e companheirismo. Nascido na cidadeda Lapa, em 2004, o evento agrega conceitos como diversão e paz, envolvimento coma natureza e interação com demais pessoas, propagado a cada edição. De acordo como trio da organização, todos os anos o festival é sucesso, com público fiel e seleto. “O Psicodália abre espaço para novos talentos, atingindo primeiramente o circuito curitibano e que acabou se estendendo para outros estados”, afirmam. Para eles, o Psicodália não se restringe apenas ao festival. “Durante o ano inteiro são realizados eventos baseados com o mesmo objetivo, formato e bandas independentes de rock, paz e companheirismo", dizem.

Estrutura

A estrutura é composta por diversas áreas de camping aborizadas, banheiros espalhados por toda a fazenda, farmácia e ambulatório, mini mercearia, praça de alimentação, bares, dois palcos, tiroleza, lagoa, estacionamento para carros, motos, ônibus e motorhomes. As oficinas abordarão temas como ecologia, artes circences, contação de histórias e outras.

Bandas

O Psicodália conta com uma série de bandas que fazem parte da história do festival. Algumas delas como O Sebbo, Sopro Difuso e Confraria da Costa, de Curitiba, e A Trupe Sonora Casa de Orates (SC), por exemplo, já têm presença e publico fiel no festival, marcados por participações em edições anteriores. Outras 21 bandas de diversos estados do Brasil se encontram no palco do festival, ao lado de Tom Zé, O Terço, Traditional Jazz Band e Ave Sangria. Dentre elas: Sopa, O Conto, o músico Plá, Lamarão e a Banda da Casa, de Curitiba; Terra Celta e Mescalha, de Londrina; e Nego Blue, da Ilha do Mel, e o Lendário Chucrobillyman representam o Paraná. De São Paulo (SP), Cosmo Drah, Thiago Nassif e Rafael Castro. E, ainda, Zé Trindade de Minas Gerais e Eletric Trip de Nova Prata, Rio Grande do Sul.

Divulgação/ND
Arte:
Estão programadas para o evento a apresentação de quatro peças teatrais. Uma delas, tráz Frida kahlo, em um texto inédito, focado no princípio da revolução.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

minha La Mele



saudades da minha companheira, minha parceira...